| O presente trabalho tem por objetivo analisar a atualização da prática tradicional Mbyá Guarani do poraró em um contexto de urbanidade e interetnicidade. O poraró, “espera com a mão”, é identificado pela população não-índia com o fenômeno da mendicância. Entretanto, esta pesquisa busca descontruir esse senso comum, por meio de um estudo etnográfico que remete a prática das índias guarani em um centro metropolitano aos seus próprios sistemas de significação. Na cultura guarani (nhanderecó), e não na nossa, a prática do poraró encontra um sistema de significados coerente. Além do estudo etnográfico, a presente pesquisa embasa suas afirmações em entrevistas com lideranças indígenas e questionários aplicados a um censo de 28 índias adultas (junto com um número variável de crianças de mães diferentes) que praticavam o poraró no centro de Porto Alegre durante a realização do projeto esperar troquinho, financiado pelo Ministério Público Federal, do qual participei como pesquisadora de campo. |